Jovens participam de formação em educomunicação e lançam publicações em diversos formatos

Entre 2025 e 2026, jovens do Litoral Norte de SP participaram da formação em educomunicação do projeto “Juventude, Educomunicação e Justiça Climática” do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA), com financiamento do FEHIDRO. A partir dessa formação, diversos produtos foram lançados, em diferentes formatos: plataforma digital, curta-metragem, fanzine, cordéis. Esses produtos, que expressam a voz da juventude, falam de temas como cultura caiçara, mudanças climáticas e educação ambiental.
Lançada no Dia Mundial da Juventude, em 12 de agosto, a plataforma digital Cumbuca (cumbuca.org) reúne narrativas da juventude brasileira sobre seus territórios, conectando a crise climática global às suas realidades locais. “A Cumbuca nasceu durante a formação, como um movimento de jovens comunicadores populares do Litoral Norte. Para mim, ela representa muito mais do que um produto da formação. Representa a possibilidade de a juventude se organizar e construir uma comunicação feita por quem vive o território e conhece seus desafios. A Cumbuca é uma forma de acompanhar o que acontece em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e em todo o nosso litoral, trazendo para a comunicação as questões ambientais, climáticas, sociais e políticas que impactam nossas comunidades”, conta a pescadora e caiçara Mariana Cruz.
Ela participou da formação em educomunicação e produziu, junto com a filha Jennifer Maiara, uma coleção de cordéis sobre a vida, a cultura e a resistência caiçara. “Uma forma de valorizar nossa história e contar a nossa própria narrativa”, explica Mariana. Os três pequenos livros da coleção Cumbuca, com belos textos e ilustrações, são intitulados “Infância e Território”, “Terra Caiçara” e “Uma caiçara na COP 30”.

“Eu já estou há alguns anos na luta pelas comunidades tradicionais pesqueiras e caiçaras e percebo que ainda precisamos aproximar mais a juventude das discussões sobre crise climática, meio ambiente e defesa dos territórios. A formação mostrou que a tecnologia e a internet podem ser muito mais do que ferramentas de comunicação: podem ser instrumentos de luta, mobilização e transformação”, reflete Mariana.
Outro produto resultado da formação é o curta-metragem de animação “Viva Mangue”, que marca a estreia de Ana Beatriz dos Santos Oliveira (conhecida artisticamente como Hyena Takanashi) na animação audiovisual. Segundo ela, só foi possível produzir o curta graças à confiança e ao apoio constante dos colegas e professores. “Além do desafio técnico de animar meu primeiro curta, a temática tem um grande valor para mim: moro perto de um manguezal e vivencio diariamente a negligência e as ameaças que esse ecossistema sofre. Dar vida a essa crítica através da arte e transformar essa realidade em narrativa animada tornou o projeto inesquecível”, conta a jovem artista.
Além de ter aprimorado a qualidade de suas produções de vídeo, Ana Beatriz considera que um dos principais aprendizados foi entender como as suas ilustrações podem ser usadas de maneiras diversas em prol de sua comunidade: em fanzines, cartazes, cordéis, posts nas redes sociais e vários outros formatos.

“Participar da formação de educomunicadores com o FunBEA foi uma experiência transformadora. Como jovem ativista da minha região, foi muito importante para mim perceber que não estou sozinha. Poder aprimorar conhecimentos, levá-los para a minha comunidade e promovê-la foi um grande despertar das minhas vontades. Além disso, pude ver o quanto posso oferecer para o meu território através da minha arte”, afirma Ana Beatriz.
Saiba mais sobre o projeto “Juventude, Educomunicação e Justiça Climática”: https://www.funbea.org.br/narrativas-do-territorio-funbea-impulsiona-o-jornalismo-comunitario-e-a-justica-climatica-no-litoral-norte/
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
CBH-LN realiza reunião plenária e aprova indicação de projetos para o FEHIDRO

Nesta sexta-feira, 28 de agosto, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) realizou a segunda reunião ordinária da Plenária de 2026, no formato presencial. A reunião foi realizada no Salão Monteiro Lobato da Secretaria Municipal de Educação de Caraguatatuba, e contou com a presença de 32 pessoas, entre membros e colaboradores do CBH-LN, incluindo representantes da Sociedade Civil, das Prefeituras e do Estado.
A mesa de abertura foi composta por Pedro Rego (vice-presidente do CBH-LN, representando a sociedade civil), Fábio Pincinato (Secretário Executivo do CBH-LN, representando o Estado), Auracy Mansano Filho (representando a prefeitura de Caraguatatuba), Daniel Mudat (prefeitura de São Sebastião), Giselle Jossei de Freitas (prefeitura de Ubatuba) e Maria Inez Fazzini (prefeitura de Ilhabela).




Projetos indicados
Os membros da plenária aprovaram por unanimidade a deliberação CBH-LN nº 249 de 2026, que trata da indicação de projetos selecionados no edital deste ano para financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). O pleito de 2026 recebeu uma grande quantidade de projetos inscritos, 18 no total. Desses, 14 foram classificados após análise realizada pelas Câmaras Técnicas do Comitê, somando uma demanda de R$ 7.882.230,14 em recursos, valor maior que o total disponível (R$ 5.078.550,46). Por isso, foi necessário fazer a classificação e a hierarquização das propostas, a fim de contemplar os projetos com melhor desempenho na pontuação.
Na indicação, também foi considerado que o pleito conta com duas fontes de recursos, a Cobrança Pelo Uso da Água e a Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH), e que um mesmo projeto só pode ser financiado por uma das duas fontes. Pensando nisso, ficou definida a indicação de três projetos para financiamento com recursos da Cobrança Pelo Uso da Água: dois da Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta sobre resíduos sólidos e um da prefeitura de Caraguatatuba na área de drenagem urbana. Já em relação aos recursos da CFURH, foram indicados dois projetos, sendo um de infraestrutura verde do Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica (IPEMA) e outro focado em educação climática para jovens, proposto pelo Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA). Outros nove projetos foram elencados como suplentes.



Projeto Comunica CBH-LN
Na reunião, também foram apresentadas as ações realizadas pelo projeto Comunica CBH-LN – Comunicação Social para a Gestão das Águas do Litoral Norte. O projeto de comunicação institucional do Comitê é executado pelo Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), com financiamento do FEHIDRO. A apresentação foi conduzida pela geógrafa, educadora ambiental e sócia-diretora do IPESA Lisa Yázigi, e pela jornalista Renata Takahashi. Conforme apresentado, o projeto busca divulgar as atividades do CBH-LN, fortalecer a transparência, a participação social e a educação ambiental na gestão dos recursos hídricos. Recentemente, o projeto foi tema de notícia no site do Comitê (clique aqui para saber mais).
Projeto RecriaMar: Oceano de Possibilidades
Outro projeto apresentado na reunião foi o RecriaMar: Oceano de Possibilidades, realizado pelo Instituto de Pesca e pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), em parceria com o Programa Petrobras Socioambiental.
O projeto foi apresentado pela bióloga Débora Ramalho e pela oceanógrafa Luana Ambrósio. A iniciativa prevê ações como: reciclagem de redes de pesca em desuso, combate ao lixo no mar (com instalação de ecobarreiras), fortalecimento da pesca artesanal e das cooperativas de reciclagem, educação ambiental e produção de conhecimento científico. Siga o perfil no Instagram @recriamar para saber mais e acompanhar as ações do projeto.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Fotos: Luíza Botelho
Projeto fortalece comunicação sobre gestão das águas

Desde 2024, a comunicação institucional do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) é realizada por meio do projeto “Comunica CBH-LN” do Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). O projeto utiliza diversas estratégias para ampliar a divulgação das ações do Comitê: produção de notícias para o site, produção de vídeos, postagens nas redes e canais do CBH-LN, produção de boletins informativos impressos e digitais, manutenção constante do site, além de assessoria de imprensa com envio de releases a veículos de comunicação locais e regionais.
Todos os conteúdos são produzidos sob a supervisão da Secretaria Executiva do Comitê, que realiza reuniões semanais junto à equipe do projeto. A produção dos conteúdos também segue as diretrizes do Programa de Comunicação Social do CBH-LN (2025-2028), elaborado no início do projeto com a participação dos membros do colegiado.
Para a coordenadora do projeto e diretora do IPESA, Lisa Yázigi, mais do que divulgar informações, a iniciativa fortalece a transparência, a participação social e a educação ambiental na gestão dos recursos hídricos. “Ao dar visibilidade às ações, projetos, investimentos, estudos e decisões construídas no âmbito do CBH-LN, o projeto amplia o acesso da sociedade ao trabalho realizado, para que seja conhecido para além de seus membros. A comunicação torna-se, assim, uma ferramenta estratégica para prestar contas à população, valorizar o esforço coletivo de instituições e representantes que se dedicam aos trabalhos do Comitê, incentivar o engajamento de novos atores e sensibilizar diferentes públicos sobre a importância da conservação das águas e da gestão participativa. Afinal, comunicar também é educar: ao traduzir temas técnicos em conteúdos acessíveis e promover o diálogo com a sociedade, o projeto contribui para a formação de uma cultura de cuidado com os recursos hídricos e de corresponsabilidade pelo futuro do Litoral Norte”, afirma Lisa.
Identidade visual
Em 2025, o logotipo do Comitê passou por uma atualização executada pelo Estúdio Dupla Ideia Design. A nova versão mantém o vórtex e as cores azul e branco no logo, mas a antiga fonte usada no texto foi substituída para deixar as letras mais legíveis. A mesma empresa de design também foi responsável pela elaboração do logotipo do projeto “Comunica CBH-LN”, que faz clara referência ao logo do Comitê, mas com a adição de um megafone (dispositivo portátil usado para amplificar a voz) e do nome do projeto.
Outra novidade de identidade visual realizada no âmbito do projeto foi a criação de um novo logotipo para a Câmara Técnica de Agroecologia, elaborado pela ilustradora e artista gráfica Patrícia Yamamoto, com acompanhamento e participação dos membros da CT-Agroecologia. Conforme explicado no “Guia de uso da identidade visual”, as linhas onduladas fazem referência a diversos elementos relacionados à agroecologia (água, linhas do relevo da Serra do Mar, linhas de plantio dos roçados, movimento, ondas do mar e linhas topográficas).
Notícias
O projeto tem publicado constantemente notícias no site do colegiado, abordando suas principais ações, como a gestão dos recursos hídricos e a governança do CBH-LN; editais e projetos financiados pelo FEHIDRO; saneamento básico e qualidade da água; drenagem urbana e adaptação às mudanças climáticas; educação ambiental e comunicação; projetos de sustentabilidade (compostagem, resíduos, agroecologia); conservação de rios e ecossistemas; participação social e integração entre instituições.
Redes sociais
Atualmente, as redes sociais são fundamentais na comunicação institucional, pois são amplamente utilizadas pela população em geral, e permitem a interação dinâmica junto aos internautas. Pensando nisso, o projeto “Comunica CBH-LN” publica com frequência postagens em suas diversas redes (Instagram, Facebook e YouTube – @cbhln), utilizando identidade visual autêntica, cards informativos sobre agenda de reuniões, chamadas de notícias, carrossel de fotos, conteúdos audiovisuais, apostando na comunicação multimodal para levar as informações do Comitê a um público cada vez maior e mais diverso.
De acordo com dados levantados por Tamires Sousa, da Firework, responsável pelas redes sociais e site do CBH-LN, entre o 2º semestre de 2024 e o 1º semestre de 2026, o perfil do Instagram passou de 1.396 para 1.875 seguidores organicamente, e passou de 250 usuários alcançados para 80 mil.
Boletins
O CBH-LN lançou um novo boletim institucional em 2025, que já teve 3 edições publicadas. O projeto prevê 16 edições no total. Cada edição tem sua versão digital disponível para leitura no site, além da versão impressa com tiragem de mil exemplares e distribuição gratuita nos 4 municípios do Litoral Norte. As edições trazem informações sobre as atividades do Comitê, os projetos FEHIDRO que estão em andamento e os já finalizados, temas relacionados à educação ambiental, dados do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos, entre outros. Até o momento, as 3 primeiras edições do boletim já somam juntas um total de 22.834 downloads no site do CBH-LN: https://cbhln.com.br/jornal-cbhln.
Outro boletim realizado por meio do projeto “Comunica CBH-LN” é o Roça Caiçara, jornal da Câmara Técnica de Agroecologia (CT-Agroecologia) do Comitê. A publicação impressa tem tiragem de mil exemplares e a versão digital pode ser lida no site do colegiado: cbhln.com.br/jornal-roca-caicara. A primeira edição produzida com apoio do projeto (edição nº 11) já teve mais de 6 mil downloads.
Site
O projeto atua na manutenção, atualização e suporte técnico constante do site do Comitê, a partir de demandas levantadas junto à Secretaria Executiva e demais membros do colegiado. São realizadas atualizações de notícias, informações e documentos; manutenções diversas como revisão de bugs e alertas relacionados ao funcionamento do site; inclusão de funcionalidade relacionada à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), atualizações técnicas de funcionalidades; reformulação de páginas; inclusão de relatórios de desempenho e configuração de funcionalidades para melhorar o posicionamento no Google e nas inteligências artificiais. Após essas e outras ações, a média de impressões do site do CBH-LN no Google aumentou de 2.500 para 40 mil, o que significa que o site tem aparecido cada vez mais nos resultados de pesquisa dos usuários.
Assessoria de imprensa
O serviço de assessoria de imprensa gerencia o relacionamento do CBH-LN com a mídia. Além do envio constante de sugestões de pauta, a assessoria monitora e compila as menções ao Comitê nos jornais, revistas, portais de internet e redes sociais. Desde o início do projeto, já foram contabilizadas pelo menos 38 inserções de notícias sobre o Comitê em 15 veículos de imprensa locais e regionais, além de 3 sites institucionais de prefeituras do Litoral Norte. Com isso, as notícias do CBH-LN chegam a mais pessoas, ampliando o alcance das ações do colegiado.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte completa 29 anos de atuação em defesa das águas

No dia 2 de agosto, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) comemora 29 anos. O colegiado foi instituído em 1997, após o desmembramento do Comitê do Vale do Paraíba e do Litoral Norte, com o objetivo de criar um fórum regional mais focado nas particularidades da região, que abrange 4 municípios paulistas litorâneos: Caraguatatuba, São Sebastião, Ilhabela e Ubatuba.
Membro da atual composição do CBH-LN representando o Estado, Rosa Maria Machado Mancini trabalha há 40 anos no Sistema Ambiental Paulista e participa do colegiado desde sua criação. Ela recorda que participou da implementação da Lei 7.663 de 1991, que estabeleceu normas de orientação à Política Estadual de Recursos Hídricos e ao Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
“As nossas atividades incluíam organizar a base de dados das bacias hidrográficas e apoiar a criação dos Comitês em parceria com o DAEE, hoje SP Águas. Essa foi uma fase muito dinâmica do nosso trabalho, quando percorríamos o Estado para organização dos colegiados. O Litoral Norte, conforme foi concebida a organização do Estado, faria parte de um único Comitê juntamente com o Paraíba do Sul e Serra da Mantiqueira. Isso não agradava a ninguém, assim fizemos um movimento forte para que nossa individualidade e peculiaridades fossem respeitadas e nos separamos: não queríamos ser o quintal de veraneio do Vale! Eu fiquei como responsável para apoiar a criação do CBH-LN, pois tinha raízes em Ubatuba”, conta Rosa.
Então, ela começou a identificar quais entidades do setor público tinham atuação na região, mapeou entidades da Sociedade Civil e identificou interlocutores das Prefeituras Municipais. “Quem me apoiou nessa fase e tornou-se o primeiro Secretário Executivo do CBH-LN foi Luiz Roberto Numa de Oliveira, Bepo, funcionário da Fundação Florestal e chefe do Núcleo Picinguaba do Parque Estadual Serra do Mar (PESM). Nossa chefe, Stela Goldenstein, Secretária de Meio Ambiente Adjunta e depois titular, nos apoiou nas tarefas e depois de pouco mais de um ano criamos o CBH-LN tendo como primeiro Presidente Antônio Carlos da Silva, na sua primeira gestão em Caraguatatuba, como Vice-presidente Marcos Couto e como Secretário Executivo Bepo”, recorda Rosa.
Apesar de não ser membro nessa época, ela apoiava a Secretaria Executiva formada por Bepo e Viviane Buchianeri. Rosa escreveu o primeiro regimento da Câmara Técnica de Planejamento e Assuntos Institucionais, acompanhou a contratação dos primeiros estudos para elaboração do diagnóstico do Litoral Norte e elaboração do primeiro Plano de Bacias, sob responsabilidade do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Nessa época foram delimitadas as 34 bacias hidrográficas do Litoral Norte para facilitar a gestão.
Em 1999, Rosa se mudou para o litoral para trabalhar na Agência da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) de Ubatuba, cujo gerente à época era Sylvio Bohn. No pedido de transferência, já havia a intenção de apoiar a Secretaria Executiva do CBH-LN, que à época tinha como sede uma casa no Horto Florestal de Ubatuba. Em 2001, ela passou a integrar a Secretaria Executiva e permaneceu até o início de 2007, quando foi chamada a assumir a Coordenadoria de Recursos Hídricos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, mas nunca deixou de acompanhar as atividades do Litoral Norte.
Entre os momentos marcantes do CBH-LN, Rosa destaca a longa batalha pela implementação da Cobrança pelo Uso da Água, que hoje representa um montante de recursos significativo para financiar projetos na região. Outra iniciativa destacada por ela foi a criação do Grupo de Trabalho Ministério Público e Órgãos Ambientais (GT MPOA), que integrava o MP Estadual a órgãos ambientais dos 3 níveis de governos, com destaque para a atuação da Promotora de Justiça Elaine Taborda, com o objetivo de enfrentar a pressão sobre o meio ambiente na região.
Outro membro da atual composição do CBH-LN que também participa do colegiado desde seu início é o arquiteto Paulo André Cunha Ribeiro. “Minha participação no CBH-LN começou em 1998, logo após a criação do Comitê. Na época, passei a representar a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Caraguatatuba, após assumir a presidência da entidade. Ao longo dessa trajetória, tive a oportunidade de representar diferentes segmentos que compõem o sistema de gestão participativa das águas. Atuei pela Sociedade Civil organizada, por meio de entidade ambientalista e de entidade de classe, atualmente representando o Sindicato dos Arquitetos no Estado de São Paulo (SASP). Também participei pelo Poder Público durante o período em que exerci o cargo de Secretário Adjunto de Meio Ambiente e Urbanismo de Caraguatatuba. Essa diversidade de representações permitiu conhecer o Comitê sob diferentes perspectivas, sempre com o mesmo propósito: contribuir para a gestão sustentável dos recursos hídricos do Litoral Norte”, relembra Paulo André.
Durante todos esses anos de atuação, ele já exerceu a Vice-Presidência do Comitê por quatro mandatos, atuando ao lado de diferentes prefeitos, gestores públicos e representantes dos diversos segmentos que compõem o Sistema Integrado de Gerenciamento de Recursos Hídricos. “O que considero mais valioso no CBH-LN é justamente seu modelo de governança tripartite, reunindo Poder Público, Sociedade Civil e usuários da água em um espaço democrático de diálogo e construção de consensos. Essa integração permite deliberar sobre políticas públicas fundamentais para garantir água em quantidade e qualidade para o abastecimento da população, para as comunidades tradicionais e isoladas, para o turismo e para as atividades econômicas da região”, avalia o arquiteto.
Para ele, um momento marcante foi o período em que a Sociedade Civil protagonizou uma participação extremamente ativa, fazendo com que o CBH-LN se destacasse como um dos Comitês com maior número de projetos da Sociedade Civil financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). “Nesse contexto, tive a oportunidade de coordenar 4 projetos financiados pelo Fundo. Entre eles, destaco um projeto de educação ambiental desenvolvido junto à comunidade isolada do Canta Galo, que foi selecionado entre mais de 6 mil projetos nacionais para ser apresentado como referência em um Congresso Nacional de Saúde Pública, um reconhecimento que muito nos orgulha”, destaca Paulo André.
Quem também participa do Comitê desde a sua instituição em 1997 é o engenheiro civil e especialista em Gestão Ambiental, Auracy Mansano Filho, que atualmente é membro titular do segmento municipal representando a Prefeitura de Caraguatatuba. “A participação dos Municípios nos Comitês de Bacia Hidrográfica é importante para garantir que o Estado possa ouvir as necessidades do segmento em relação à gestão dos recursos hídricos, com a legitimidade garantida pela participação da Sociedade Civil. Os recursos do FEHIDRO geridos pelo Comitê, apesar de serem pequenos, foram fundamentais para o desenvolvimento da cidade, especificamente em Caraguatatuba”, afirma Auracy.
O engenheiro civil, que é Secretário de Meio Ambiente, Agricultura e Pesca de Caraguatatuba, destaca a importância do Comitê na união entre a Sociedade Civil, o Estado e os Municípios. Para ele, um dos momentos mais marcantes do CBH-LN em todos esses anos foi a aprovação do projeto FEHIDRO em 2003 que contemplou a implantação do sistema de esgoto sanitário na Ilha do Sol, localizada no bairro Rio do Ouro em Caraguatatuba. “O local era conhecido anteriormente como Ilha do Terror, e a implantação da infraestrutura de saneamento básico foi essencial para sua adequada urbanização. O projeto também contemplou a realização de campanhas educativas, para garantir que os munícipes realizassem a ligação, com apoio aos hipossuficientes, sendo considerado à época o melhor projeto financiado pelo FEHIDRO no Litoral Norte”, recorda Auracy.
Esses depoimentos, carregados de boas lembranças e memórias, reforçam a valiosa contribuição do Comitê para o desenvolvimento sustentável do Litoral Norte paulista nesses 29 anos de atuação. Parabéns ao CBH-LN e a todos que fazem parte dessa história!
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Agentes de saúde de Ubatuba participam de formação de educação socioambiental

Neste mês de julho, o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA) iniciou o curso de formação de educação socioambiental para agentes municipais de Ubatuba. A formação é realizada no âmbito do projeto “Ambientes Azuis Saudáveis”, selecionado pelo edital FEHIDRO CBH-LN em 2025, e conta com a parceria da Secretaria de Saúde da Prefeitura de Ubatuba.
O objetivo é capacitar 143 agentes comunitários de saúde (ACS) e 23 agentes de controle de endemias (ACE) sobre temas socioambientais que se aplicam no contexto do município de Ubatuba. “Os agentes são profissionais que conhecem muito bem o território, porque estão na rua, no dia a dia das famílias, por todo o município. Nesse sentido, eles são muito estratégicos e possuem muito conhecimento. O que o projeto propõe é uma troca: nós trazemos temas ambientais importantes para serem discutidos junto aos agentes, aproveitando o olhar deles para os desafios de cada região”, afirma a supervisora do projeto, Lisa Yázigi.
O curso é presencial e possui carga horária de 40 horas, abordando temas como saneamento integral (água, esgoto, resíduos e drenagem), sociobiodiversidade, alimentação saudável e agroecologia, mudanças climáticas e desastres, lições e ferramentas de experiências de base comunitária. “Saúde e meio ambiente caminham juntos. Cuidando do ambiente é possível melhorar a saúde das pessoas e a qualidade de vida da população. Um exemplo prático: se uma família mora perto de um ponto de descarte irregular de lixo, isso pode atrair arboviroses, que são doenças virais transmitidas por artrópodes, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela”, explica a coordenadora do projeto, Clara Jacq.
Os agentes foram divididos em 4 turmas, conforme suas regiões de atuação: Sul, Centro, Norte e Oeste. A metodologia do curso envolve aulas expositivas com conteúdos técnicos e dinâmicas de grupo. Cada participante recebe uma apostila didática com textos de apoio e indicações bibliográficas.
As aulas são conduzidas por professores especialistas nas temáticas do curso, que procuram ensinar de forma dialogada e estimulando os alunos a debaterem sobre os desafios e potencialidades socioambientais de seus territórios de atuação. No final da semana formativa, os agentes constroem árvores do futuro, apresentando soluções que possam ser implementadas.
Ao final do curso, também está prevista a elaboração do livro intitulado “Ambientes Azuis Saudáveis – Ubatuba pelos seus agentes”, publicação que documentará o processo formativo, apresentará os mapas territoriais produzidos nas aulas e sistematizará as boas-práticas aprendidas, mirando ações futuras.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Fotos: Luiza Botelho
Projeto oferece curso digital gratuito sobre tratamento de esgotos em comunidades isoladas
Em junho de 2026, o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), a Fluxus Design Ecológico e o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN), com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), realizaram o curso “Manejo da Água: Sistemas de Tratamento de Esgotos em Comunidades Isoladas”.
A iniciativa focou em soluções sustentáveis pensadas para locais que ainda não são atendidos pelo sistema público de saneamento, situação apontada pelo CBH-LN no Relatório de Situação dos Recursos Hídricos como motivo de preocupação para a qualidade das águas da região.
Inicialmente havia 70 vagas para o curso, mas como a procura foi muito grande, o projeto foi reorganizado e abriu mais vagas, chegando a 470 inscritos. “Acredito que essa grande procura reflete uma realidade muito presente em diversos territórios brasileiros: a demanda por soluções de saneamento para comunidades isoladas ainda é enorme. Existem muitas pessoas, instituições, organizações sociais, profissionais e gestores públicos trabalhando diretamente com essas comunidades e buscando alternativas viáveis para enfrentar um desafio que impacta diretamente a saúde das pessoas, a qualidade de vida e a conservação ambiental. Além disso, a possibilidade de realizar o curso de forma online certamente contribuiu para ampliar o acesso”, afirma a geógrafa e sócia diretora do IPESA, Lisa Yázigi.

A bióloga colaboradora da Fluxus e coordenadora técnica do curso, Isabel Figueiredo, explica que o curso foi online, com 5 aulas de 1h30 que ocorreram às segundas-feiras do mês de junho de 2026. “Os materiais do curso incluem 5 apostilas e 5 vídeos preparados pelo IPESA e Fluxus, além das apresentações utilizadas em aula e as próprias aulas gravadas. Os participantes puderam interagir fazendo perguntas para os professores pelo chat. Receberá certificado quem esteve presente em pelo menos 4 das 5 aulas online. Também será realizada uma aula prática opcional, em Ubatuba (SP), ainda sem data definida”, informa a coordenadora.
Lisa Yázigi avalia que o curso abordou temas fundamentais para o saneamento em comunidades isoladas e proporcionou aos participantes uma formação qualificada, conectada tanto aos desafios práticos quanto às discussões mais atuais sobre o tema. “Para nós, a realização deste curso representa muito mais do que uma ação de capacitação. Entendemos que ele é uma ferramenta de mobilização, articulação e fortalecimento de redes. É uma oportunidade de instrumentalizar pessoas que atuam nos territórios, apoiar a busca por soluções adequadas às realidades locais e contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, conclui a geógrafa.

As aulas estão disponíveis no canal do IPESA no Youtube (@IPESASocioambiental), na playlist “Curso Manejo da Água – sistemas de tratamento de esgotos em comunidades isoladas“.
Além das aulas, estão disponíveis também outros materiais para download. Acesse: https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1YmYJT9x60UrPUwOCJ7_ThUjPKSvWyRyi.
*Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
CBH-LN marca presença no 3º Fórum Brasil das Águas no Maranhão
Por Pedro Fernando do Rego
O Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) apoiou e esteve presente no 3° Fórum Brasil das Águas realizado entre os dias 04 e 08 de maio de 2026, em São Luís do Maranhão.
O objetivo do 3º Fórum Brasil das Águas foi promover diálogos e compartilhamentos, com foco no fortalecimento da gestão de recursos hídricos em nosso país. Participaram do evento mais de 2000 pessoas representando poder público municipal, estadual e federal, iniciativa privada, usuários de recursos hídricos, entidades civis, ONGs, academia e sociedade civil, incluindo a visita de algumas escolas da região. Foram entregues materiais de comunicação e educação ambiental dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs), incluindo o boletim informativo do CBH-LN e divulgação dos demais materiais de comunicação com a vinculação do vídeo sobre o Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Litoral Norte e acesso a outros materiais via QR Code.
O evento contou com um estande do Fórum Paulista de Comitês de Bacias Hidrográficas com ampla programação de palestras, debates e integração entre CBHs. Dentre elas podemos destacar as apresentações feitas pelo vice-presidente do CBH-LN, Pedro Rego do IEB, tratando sobre a “Atuação do CBH-LN em Educação Ambiental na Redução de Risco no Litoral Norte de SP” enfatizando a criação e a atuação da Rede ERRD LN, e “Gestão territorial a partir de ações integradas de colegiados no Litoral Norte” dando destaque para a agenda integrada com o Gerenciamento Costeiro.
As demais apresentações também contaram com momentos de trocas de experiências entre os comitês, com o início de tratativas principalmente para retomada das ações e projetos da Vertente Litorânea, integrando os comitês do Litoral Norte, Baixada Santista e Vale do Ribeira. Dentre os temas tratados, vale destacar a proposta de articulação para ampliar para todo o litoral a área de abrangência da Sala de Situação de Recursos Hídricos, coordenada pela Unisanta da Baixada Santista, bem como integração entre os projetos de comunicação, que envolveria outros comitês.
Em âmbito nacional, a articulação foi feita com a diretoria de revitalização de bacias hidrográficas, abordando a construção conjunta de uma pauta e programação para o Encontro Nacional dos Comitês de Bacias Hidrográficas (ENCOB), previsto para ser realizado em dezembro em Fortaleza (Ceará) sobre a integração da atuação dos comitês de bacias com a agenda do Gerenciamento Costeiro.
Comitê de Bacias Hidrográficas analisa 16 projetos para o Litoral Norte
O Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) realiza anualmente a seleção de propostas para investimento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). As propostas inscritas são submetidas a grupos de análise formados por membros das Câmaras Técnicas do colegiado.
No pleito único do edital FEHIDRO CBH-LN 2026 foram inscritos dezoito projetos para o Litoral Norte. Dois projetos foram desabilitados na triagem inicial, por estarem em desacordo com o edital. Os demais projetos, dezesseis no total, foram distribuídos entre grupos de analistas durante a reunião conjunta das Câmaras Técnicas realizada no dia 06 de maio.
Os analistas têm até o dia 21 de maio para apresentar uma primeira análise. Os proponentes terão até o dia 08 de junho para revisar os projetos a partir dos apontamentos feitos pelos analistas. De 11 a 19 de junho, os projetos revisados passam por uma segunda análise, com a aplicação de pontuação aos requisitos avaliados, e recebem um parecer recomendando ou não sua indicação para financiamento do FEHIDRO.
De 24 a 25 de junho os proponentes podem apresentar recursos quanto à análise dos projetos. No dia 30 de junho, será realizada a reunião conjunta das Câmaras Técnicas para apresentação das avaliações, análise dos recursos e hierarquização das propostas. A reunião plenária do CBH-LN para decisão sobre a indicação dos projetos para financiamento do FEHIDRO está marcada para o dia 28 de agosto.
Confira a lista dos 16 projetos que estão em análise:
- Projeto: “Plano Municipal de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais de Ilhabela – PMDMAP Ilhabela Fase II” (Tomador: Prefeitura de Ilhabela)
- Projeto: “EcoEducAção em Rede: Caminhos Coletivos Educação Ambiental para a gestão participativa dos resíduos sólidos e a conservação dos recursos hídricos nas comunidades” (Tomador: Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta)
- Projeto: “RE-VIVA Rio Escuro – Valorização e Infraestrutura Verde Adaptativa” (Tomador: Associação Gaia Social)
- Projeto: “Um olhar para a saúde da Bacia Hidrográfica do Rio Indaiá com Soluções Baseadas na Natureza” (Tomador: Instituto Bandeira Verde)
- Projeto: “Infraestrutura Verde e Adaptação Hidroclimática na UGRHI-03” (Tomador: Universidade de Taubaté)
- Projeto: “Pátios Vivos: Infraestrutura Verde para Gestão Sustentável das Águas nas Escolas Municipais de Ubatuba” (Tomador: Instituto de Permacultura e Ecovilas da Mata Atlântica – IPEMA)
- Projeto: “Execução do Canal de Drenagem da Av. Durvalina Bueno” (Tomador: Prefeitura de Caraguatatuba)
- Projeto: “Processo formativo de diagnóstico e monitoramento da bacia do Rio Itamambuca para agentes comunitários” (Tomador: Associação Amigos de Itamambuca – SAI)
- Projeto: “Capacitação Técnica e Inclusiva para Gestão de Riscos Hidroambientais e Proteção dos Recursos Hídricos em Ubatuba/SP” (Tomador: Vida Organização da Sociedade Civil Vivenciando a Inclusão Social e o Desenvolvimento da Autonomia – OSC)
- Projeto: “Guardiões de Bacias Hidrográficas: Capacitação Comunitária para Gestão Integrada de Águas e Resíduos Sólidos” (Tomador: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP)
- Projeto: “EcoEducAção em Rede: Primeiras Trilhas -Educação ambiental com crianças e jovens para a gestão participativa dos resíduos sólidos e a conservação dos recursos hídricos nas comunidades (…)” (Tomador: Associação Cunhambebe da Ilha Anchieta)
- Projeto: “Os caminhos da Educação Ambiental: O turismo como ferramenta de sensibilização e conscientização ambiental no município de Ilhabela/SP” (Tomador: Instituto Amigos da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica)
- Projeto: “Juventude, Educom e Justiça Climática – A educação climática na formação de jovens comunicadores populares no LN de SP” (Tomador: Fundo Brasileiro de Educação Ambiental – FUNBEA)
- Projeto: “Escolas Seguras: Educando para o risco” (Tomador: Instituto Conservação Costeira – ICC)
- Projeto: “Campanha publicitária: CBH-LN– O Gestor das Águas” (Tomador: Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola – FUNDAG)
- Projeto: “Águas de Ubatuba: história de uma crise silenciosa” (Tomador: Instituto da Árvore – IA)
Por: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Projeto une educação socioambiental, ciência cidadã e educomunicação em defesa do Rio Itamambuca
Em março deste ano, a Associação Amigos de Itamambuca (SAI) em parceria com o Instituto de Cultura Oceânica (ICOA) deram início ao processo formativo de educomunicação e monitoramento hídrico da bacia do Rio Itamambuca para agentes comunitários, em Ubatuba (SP).
O projeto, intitulado “Vozes do Rio Itamambuca”, foi selecionado no pleito de 2024 do edital do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) para receber financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). A proposta está enquadrada no Programa de Duração Continuada (PDC) 8, de capacitação e comunicação social, mais especificamente no SubPDC 8.2, de educação ambiental vinculada às ações dos planos de bacias hidrográficas.
A oceanógrafa e coordenadora do projeto, Laura Piatto (idealizadora do ICOA), conta que a formação terá duração de 12 meses e é voltada para jovens e lideranças da bacia. “O projeto articula educação socioambiental, ciência cidadã e educomunicação, com o objetivo de formar agentes de transformação no território. Ao longo do processo formativo, os participantes se aprofundam em temas como bacia hidrográfica, cultura oceânica, mudanças climáticas e justiça socioambiental, sempre a partir da realidade local”, explica Piatto.
De acordo com a oceanógrafa, uma das principais frentes do projeto é o monitoramento ambiental participativo, que inclui a análise da qualidade da água em diferentes pontos do rio, além do acompanhamento da dinâmica da praia, do manguezal e de áreas de risco, como regiões sujeitas a enchentes. Esse monitoramento permite gerar dados contínuos sobre o território, fundamentais para compreender padrões de poluição e apoiar tanto a gestão pública quanto a mobilização social.
A coordenadora do projeto aponta que outro eixo central é a educomunicação, por meio da qual os próprios participantes produzem conteúdos como vídeos, podcasts e materiais educativos. A proposta é transformar informação técnica em linguagem acessível, ampliando o alcance do debate e fortalecendo o engajamento da comunidade.
Características e desafios da bacia
A Bacia Hidrográfica do Rio Itamambuca está localizada na região norte de Ubatuba e, conforme contextualiza Piatto, é uma unidade natural de gestão do território que conecta a Serra do Mar ao oceano, integrando diferentes ecossistemas como mata de encosta, mata ciliar, manguezal, restinga e o ambiente costeiro e marinho. “Com cerca de 50 km², está inserida em um dos trechos mais preservados da Mata Atlântica, mas também é marcada por uma forte presença humana, com comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas, além de áreas urbanizadas e regiões sob pressão do turismo”, afirma a oceanógrafa.
Segundo Piatto, esse território conta com uma trajetória importante de mobilização e articulação por meio do Observatório Itamambuca (@obs_itamambuca), uma coalizão formada por associações locais, comunidades tradicionais e instituições parceiras, que há mais de uma década atua na proteção, monitoramento e gestão sustentável da bacia.
Ela explica que o Rio Itamambuca funciona como a principal veia desse território. “Ele nasce na serra, em áreas mais preservadas, e ao longo do seu percurso recebe diversos afluentes, atravessando regiões com diferentes níveis de ocupação e impacto. Sua foz, onde se encontra com o oceano, é uma área extremamente sensível, com presença de manguezal e grande importância ecológica. A qualidade da água do rio está diretamente relacionada às condições de saneamento básico, ao uso e ocupação do solo e à forma como o território é gerido. Problemas como lançamento de esgoto, drenagem inadequada e ocupação desordenada impactam não apenas o rio, mas também a saúde pública, os ecossistemas e a balneabilidade da praia”, esclarece a coordenadora do projeto.
No Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Litoral Norte de 2025, o rio Itamambuca é apontado como um dos principais rios da região. Apesar de apresentar classificação “Boa” em relação aos valores para Índice de Qualidade da Água (IQA) e Índice de Estado Trófico (IET) segundo análises da Cetesb de 2024, na classificação anual de balneabilidade o rio Itamambuca recebeu classificação “Péssima”, o que significa que suas águas ficaram impróprias para banho em mais da metade das amostras coletadas ao longo daquele ano. Esses dados acendem um alerta e reforçam a importância de iniciativas como o projeto “Vozes do Rio Itamambuca”.
“O projeto não tem como objetivo resolver isoladamente problemas estruturais como o saneamento, que dependem diretamente de políticas públicas e investimentos. No entanto, atua em uma dimensão estratégica ao formar pessoas, produzir conhecimento local e fortalecer o senso de pertencimento. A partir disso, contribui para ampliar a capacidade do território de se mobilizar, cobrar soluções e participar ativamente dos processos de gestão”, conclui Piatto.
Acompanhe as atividades do projeto “Vozes do Rio Itamambuca” no Instagram: @icoa_instituto
*Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
CBH-LN realiza primeira reunião da plenária de 2026

Nesta sexta-feira, dia 24 de abril, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) realizou a primeira reunião ordinária da plenária deste ano, no formato presencial, em Caraguatatuba. A reunião foi realizada no auditório da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência e do Idoso (Sepedi), e contou com a presença de 24 pessoas, entre membros e colaboradores do CBH-LN, incluindo representantes da sociedade civil, das prefeituras e do Estado.
A mesa de abertura foi composta por Pedro Rego (vice-presidente do CBH-LN, representando a sociedade civil), Fábio Pincinato (Secretário Executivo do CBH-LN, representando o Estado), Auracy Mansano Filho (representando a prefeitura de Caraguatatuba), Caio Castro (prefeitura de São Sebastião), Graziela dos Santos Santini (prefeitura de Ubatuba) e Ana Paula Zepka (prefeitura de Ilhabela). Em suas falas, os representantes dos municípios defenderam a importância da integração entre as cidades na busca por soluções conjuntas em benefício dos recursos hídricos.
Cobrança Pelo Uso da Água
Os membros da plenária aprovaram por unanimidade a minuta da deliberação CBH-LN nº 248 de 2026, que trata do Plano de Aplicação dos Recursos da Cobrança pelo uso dos Recursos Hídricos nas Bacias Hidrográficas do Litoral Norte para o exercício de 2026.
Conforme explicou o Secretário Executivo do CBH-LN, Fábio Pincinato, “a cobrança tem como objetivo estimular o uso racional da água e com os recursos arrecadados o Comitê investe em projetos para a melhoria da qualidade das águas, o que beneficia a população, o turismo e a economia local”.
Para este ano, o CBH-LN tem a estimativa de dispor de R$ 4.425.103,08 de recursos da cobrança para investimentos em projetos ambientais. Esse valor é calculado a partir da soma da arrecadação, ajustes e rendimentos de 2025, subtraindo valores previstos para custeio e taxas administrativas, e considerando o saldo acumulado em anos anteriores e contratos em andamento.
Porém, vale ressaltar que a estimativa é dispor de aproximadamente R$ 5 milhões para investimentos em projetos no pleito CBH-LN FEHIDRO deste ano, já que a Cobrança Pelo Uso da Água não é a única fonte de recursos. O edital também conta com recursos oriundos da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH).
Plano de Trabalho das Câmaras Técnicas
Outro item da pauta da reunião foi a apresentação do Plano de Trabalho das Câmaras Técnicas (CTs) do CBH-LN para este ano. As quatro CTs atuam em atividades rotineiras do Comitê, como a análise de projetos que concorrem no processo de seleção para financiamento do FEHIDRO e a elaboração do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos. Mas as CTs também possuem atividades específicas, de acordo com suas áreas de atuação.
O plano de trabalho da Câmara Técnica de Planejamento e Assuntos Institucionais (CT-PAI) foi apresentado à plenária por Jociani Debeni Festa, representante do Estado e secretária adjunta do CBH-LN, que coordena a CT-PAI no biênio 2025-2027. Ela destacou que a principal atividade da CT-PAI este ano será acompanhar o desenvolvimento do novo Plano de Bacias Hidrográficas da UGRHI 03 (Litoral Norte), no âmbito do Programa IntegraBacias.
O plano de trabalho da Câmara Técnica de Saneamento (CT-SAN) foi apresentado por Douglas Santos, representante da prefeitura de Caraguatatuba e atual coordenador da CT-SAN. Entre os temas a serem abordados nas reuniões, ele citou a revisão do Plano de Bacias, informes da URAE-1 Sudeste (acompanhamento dos contratos com a SABESP), situação dos Planos Municipais de Saneamento e Resíduos Sólidos da região, situação da coleta seletiva nas cidades do Litoral Norte e combate ao lixo no mar.
O plano de trabalho da Câmara Técnica de Educação Ambiental (CT-EA) foi apresentado por Pedro Rego, que além de vice-presidente do CBH-LN, é também o secretário da CT-EA. Em 2026, uma das principais atividades desta CT será organizar o VII Fórum Regional de Educação Ambiental (ForEA), que terá como tema “Saberes Ancestrais, Futuros Possíveis: Educação Socioambiental para Tempos de Crise”.
O plano de trabalho da Câmara Técnica de Agroecologia (CT Agroecologia) foi apresentado por Silas Barsotti, representante do segmento do Estado e coordenador dessa CT. Ele destacou a intenção de realizar pelo menos dois encontros presenciais em 2026, elaborar termos de referência para projetos de agroecologia, apoiar a organização do VII ForEA, produzir duas edições do jornal Roça Caiçara e sistematizar as propostas elencadas durante a Mesa de Diálogo sobre Agroecologia, organizada em novembro de 2025 pelo Grupo Setorial de Gerenciamento Costeiro do Litoral Norte (Gerco), CBH-LN, Coordenadoria de Assistência Integral (Cati) e Secretaria de Agricultura e Abastecimento (SAA).
Projeto Rio Vivo Tabatinga
A reunião de hoje também contou com uma apresentação do arquiteto Paulo André Cunha Ribeiro sobre o Projeto Rio Vivo Tabatinga, uma iniciativa conjunta entre diversas entidades públicas, privadas e sociedade civil, da qual o CBH-LN também faz parte.
O objetivo do projeto é despoluir, preservar e recuperar o Rio Tabatinga, localizado na divisa entre Caraguatatuba e Ubatuba. O projeto atua no monitoramento contínuo da qualidade da água, identificação de pontos de poluição, fiscalização de ligações irregulares, fiscalização e recuperação da mata ciliar, entre outras ações.
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Fotos: Aline Francesco @alinefrancescofotografia
























