Instituto da Árvore terá unidade demonstrativa com 5 modelos de compostagem

*Texto e imagens da equipe técnica do projeto Compostuba
O projeto “Educação ambiental e curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos com ênfase em compostagem nas bacias do Rio Grande e Rio Indaiá/Capim Melado”, apelidado de “Compostuba”, é realizado pelo Instituto da Árvore de Ubatuba com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo (FEHIDRO).
Iniciado em agosto de 2025 e com duração de 2 anos, seu objetivo é promover o destino adequado de resíduos sólidos, fortalecendo a cadeia de compostagem de resíduos orgânicos nas bacias hidrográficas selecionadas, a partir de processos formativos e de ferramentas de educação ambiental.
A compostagem é um processo natural e controlado de transformação de resíduos orgânicos, como por exemplo restos de alimentos, folhas e galhos, ou seja, é a forma de reciclagem dos resíduos orgânicos para se transformar em adubo, um material escuro, homogêneo e com aspecto de terra fértil, conhecido também como composto orgânico, que melhora a qualidade do solo, fornecendo nutrientes para as plantas.
A ideia para o projeto Compostuba é, além de compartilhar conhecimentos a respeito do tema, criar uma unidade demonstrativa com alguns modelos de compostagem para que a população possa conhecer na prática como funcionam. Os modelos escolhidos podem ser replicados de forma doméstica, mas também em escolas, condomínios, áreas rurais e alguns deles podem até ser usados para grandes volumes de resíduos orgânicos de uma cidade, por exemplo.
Quem for visitar o projeto vai poder ver estes 5 modelos:
- Minhocários são sistemas de compostagem de resíduos orgânicos com ajuda de minhocas, onde estas atuam acelerando o processo de decomposição. Minhocas são vermes anelídeos, por isso o método também é chamado de vermicompostagem e as espécies mais utilizadas para tal processo são a Eisenia foetida e Eisenia andrei, conhecidas como minhoca-californiana ou minhoca-vermelha. Estas espécies são mais resistentes a variações de temperatura, têm capacidade de se alimentar de uma grande variedade de resíduos orgânicos, apresentam alta taxa de reprodução quando em ambientes adequados e são capazes de consumir diariamente o equivalente a seu peso em resíduos. Este método é muito disseminado para compostagem doméstica por precisar de pouco espaço e podendo ser feito com o reaproveitamento de baldes ou galões. Entretanto, também é realizada em grande escala para fins comerciais.

- Leiras de compostagem são um dos métodos conhecidos de compostagem termofílica, processo que ocorre em temperaturas altas, entre 45 e 70°C. Primeiro se faz uma camada de galhos, podas ou folhas de palmeiras para facilitar a entrada de ar e impedir a compactação do sistema. Em seguida, deposita-se uma camada de palhas, folhas secas ou material de poda picotado e, se possível, uma camada de composto pronto que servirá como inoculante, acelerando o processo. Os resíduos orgânicos são depositados sobre esta camada , cobertos com serragem ou folhas secas e uma generosa camada de palha que deve cobrir bem a pilha. Esta pode atingir cerca de 1 metro de altura. A largura pode variar, mas comumente, em locais com espaços menores ou baixa demanda, ficam com 1 metro de largura e no máximo 2 metros para facilitar a entrada de ar. O comprimento depende da demanda e espaço disponível.

- Baias são um modelo simples e organizado de compostagem, muito usado em projetos comunitários, escolas, sítios e até mesmo municípios. Funciona com estruturas separadas, chamadas de baias, onde o resíduo orgânico passa por etapas até virar adubo. É como uma linha do tempo da compostagem, cada baia com uma função. Estas baias podem ser feitas de diferentes materiais, de acordo com sua disponibilidade (madeira, tijolos, telhas, grades, etc.). O processo que ocorre neste modelo é muito parecido com o da compostagem termofílica em leiras, entretanto, pode ser coberto evitando excesso de umidade e maior controle de temperatura.

- Cilindros aerados são sistemas que utilizam, como o nome sugere, uma rede ou tela de proteção, em formato cilíndrico. É um modelo que requer pouco material para instalação e pode ser implantado em diferentes locais e por ser protegido, pode receber resíduos de carnes, alimentos cozidos ou processados.

- Sistema de fluxo contínuo é um método em que os resíduos orgânicos são depositados por cima da estrutura da composteira e o composto pronto é retirado por baixo, sem precisar parar o processo. É um processo dinâmico, que diminui as etapas da compostagem, sendo constante, organizado e contínuo. É vantajoso para locais com espaços limitados, embora seja necessária a construção de uma estrutura própria, a qual, por sua vez, pode ser feita de diversos tamanhos dependendo do espaço disponível e da demanda de resíduo orgânico a ser compostado.

A equipe do projeto está finalizando a instalação desses sistemas, junto a outras melhorias necessárias para receber melhor os visitantes. Neste ano, haverá ciclos de oficinas, curso e uma campanha para a população levar seus resíduos orgânicos para compostar. A iniciativa visa a integração com a comunidade do entorno para contribuir com o desvio desses tipos de resíduos, tão valorosos, de aterros ou mesmo de rios e mares quando descartados irregularmente, diminuindo a poluição dos recursos hídricos.
O Compostuba acompanha diferentes ações sobre o tema dos resíduos, a exemplo do projeto Ecoeducação Almada, e espera somar nessa rede, construindo uma cidade mais sustentável.
Endereço do Instituto da Árvore
Rua da Usina Velha, 593
Bairro Usina Velha – Ubatuba/SP
Instagram @compostuba.ia
Projeto Compostuba fortalece a compostagem de resíduos orgânicos em Ubatuba
Em agosto deste ano, o Instituto da Árvore, entidade de Ubatuba dedicada à educação ambiental e produção de mudas nativas da Mata Atlântica, deu início ao projeto Compostuba (Educação Ambiental e Curso de Gerenciamento de Resíduos Sólidos com ênfase em Compostagem nas bacias do Rio Grande e Rio Indaiá/Capim Melado), realizado com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO).
Como o nome sugere, o projeto é focado na compostagem de resíduos orgânicos, um processo natural que transforma restos de comida e de poda em adubo para plantas, com a ajuda de microrganismos e pequenos animais do solo como minhocas e gongolos.
O público do projeto é a população residente em bairros centrais de Ubatuba que estão inseridos nas bacias hidrográficas dos rios Grande e Indaiá/Capim Melado. O projeto também fará atividades envolvendo alunos de escolas da rede pública de ensino localizadas nessas bacias.
Entre as atividades previstas estão: oficinas de compostagem e de educomunicação, ações formativas em gerenciamento de resíduos sólidos, implantação de uma unidade demonstrativa de alguns sistemas de compostagem em pequena escala e uma campanha de entrega de resíduos orgânicos pela comunidade.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) prevê e incentiva a compostagem como um sistema sustentável de gerenciamento de resíduos orgânicos. Conforme explicou o coordenador do projeto Compostuba e atual presidente do Instituto da Árvore, professor Elizamar Dias, “existem diferentes formas e escalas para se fazer a compostagem de resíduos orgânicos, desde aquela realizada no pé de uma árvore até grandes volumes, a exemplo da tecnologia de tambor rotativo que foi instalado para a compostagem de toneladas de resíduos gerados na COP 30 [Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima], que pode ser aplicado para reciclagem de orgânicos de municípios”.
O professor também explicou como a gestão correta dos resíduos sólidos contribui com a conservação das águas e do solo. “A disposição inadequada dos resíduos, incluindo os orgânicos, causa impactos socioambientais negativos, como a poluição atmosférica por liberação do gás metano proveniente de sua decomposição, inclusive ao longo do seu transporte em caminhões; a poluição das águas superficiais, lençóis freáticos e solos por chorume e toxinas; o assoreamento de rios e proliferação de algas pelo excesso de matéria orgânica; a proliferação de doenças por atração de vetores; a contaminação das águas de drenagem urbana e o entupimento de bueiros que contribuem para inundações; e podemos considerar a própria degradação da paisagem. Quando esses resíduos chegam às praias, também afetam a fauna marinha”, disse Elizamar.
Nesta fase inicial a equipe do projeto está organizando e adequando os espaços na sede do Instituto da Árvore, implementando os sistemas de compostagem e elaborando o calendário de oficinas com as escolas. As ações com a população serão realizadas a partir de 2026.
O projeto Compostuba foi um dos empreendimentos indicados pelo Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) em 2024 ao FEHIDRO, e terá duração de 2 anos. Para acompanhar as próximas atividades, siga as redes sociais do projeto (@compostuba.ia) e do Instituto da Árvore (@iaubatuba).





