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Jovens participam de formação em educomunicação e lançam publicações em diversos formatos

Entre 2025 e 2026, jovens do Litoral Norte de SP participaram da formação em educomunicação do projeto “Juventude, Educomunicação e Justiça Climática” do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA), com financiamento do FEHIDRO. A partir dessa formação, diversos produtos foram lançados, em diferentes formatos: plataforma digital, curta-metragem, fanzine, cordéis. Esses produtos, que expressam a voz da juventude, falam de temas como cultura caiçara, mudanças climáticas e educação ambiental.

Lançada no Dia Mundial da Juventude, em 12 de agosto, a plataforma digital Cumbuca (cumbuca.org) reúne narrativas da juventude brasileira sobre seus territórios, conectando a crise climática global às suas realidades locais. “A Cumbuca nasceu durante a formação, como um movimento de jovens comunicadores populares do Litoral Norte. Para mim, ela representa muito mais do que um produto da formação. Representa a possibilidade de a juventude se organizar e construir uma comunicação feita por quem vive o território e conhece seus desafios. A Cumbuca é uma forma de acompanhar o que acontece em São Sebastião, Ilhabela, Caraguatatuba e em todo o nosso litoral, trazendo para a comunicação as questões ambientais, climáticas, sociais e políticas que impactam nossas comunidades”, conta a pescadora e caiçara Mariana Cruz. 

Ela participou da formação em educomunicação e produziu, junto com a filha Jennifer Maiara, uma coleção de cordéis sobre a vida, a cultura e a resistência caiçara. “Uma forma de valorizar nossa história e contar a nossa própria narrativa”, explica Mariana. Os três pequenos livros da coleção Cumbuca, com belos textos e ilustrações, são intitulados “Infância e Território”, “Terra Caiçara” e “Uma caiçara na COP 30”.

“Eu já estou há alguns anos na luta pelas comunidades tradicionais pesqueiras e caiçaras e percebo que ainda precisamos aproximar mais a juventude das discussões sobre crise climática, meio ambiente e defesa dos territórios. A formação mostrou que a tecnologia e a internet podem ser muito mais do que ferramentas de comunicação: podem ser instrumentos de luta, mobilização e transformação”, reflete Mariana. 

Outro produto resultado da formação é o curta-metragem de animação “Viva Mangue”, que marca a estreia de Ana Beatriz dos Santos Oliveira (conhecida artisticamente como Hyena Takanashi) na animação audiovisual. Segundo ela, só foi possível produzir o curta graças à confiança e ao apoio constante dos colegas e professores. “Além do desafio técnico de animar meu primeiro curta, a temática tem um grande valor para mim: moro perto de um manguezal e vivencio diariamente a negligência e as ameaças que esse ecossistema sofre. Dar vida a essa crítica através da arte e transformar essa realidade em narrativa animada tornou o projeto inesquecível”, conta a jovem artista.

Além de ter aprimorado a qualidade de suas produções de vídeo, Ana Beatriz considera que um dos principais aprendizados foi entender como as suas ilustrações podem ser usadas de maneiras diversas em prol de sua comunidade: em fanzines, cartazes, cordéis, posts nas redes sociais e vários outros formatos. 

“Participar da formação de educomunicadores com o FunBEA foi uma experiência transformadora. Como jovem ativista da minha região, foi muito importante para mim  perceber que não estou sozinha. Poder aprimorar conhecimentos, levá-los para a minha comunidade e promovê-la foi um grande despertar das minhas vontades. Além disso, pude ver o quanto posso oferecer para o meu território através da minha arte”, afirma Ana Beatriz.

Saiba mais sobre o projeto “Juventude, Educomunicação e Justiça Climática”: https://www.funbea.org.br/narrativas-do-territorio-funbea-impulsiona-o-jornalismo-comunitario-e-a-justica-climatica-no-litoral-norte/

Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)

Projeto Composta Boiçucanga inspira boas práticas de gestão de resíduos orgânicos

O Composta Boiçucanga foi um projeto financiado pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), executado entre 2021 e 2022 pelo Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA). O objetivo foi promover a compostagem no bairro de Boiçucanga, na Costa Sul de São Sebastião (SP).

A compostagem é o processo de decomposição controlada de resíduos orgânicos (como cascas de frutas, legumes, restos de alimentos, podas e folhas secas) que resulta em um rico composto para ser usado como adubo para plantas.

A implantação de sistemas de compostagem é prevista na Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010), mas ainda não é uma realidade. O Relatório de Situação dos Recursos Hídricos, elaborado pelo CBH-LN, também orienta os municípios do Litoral Norte a implementarem a compostagem. Enquanto políticas públicas nesse sentido não avançam, projetos como o Composta Boiçucanga são importantes para disseminar a prática e diminuir o volume de resíduos orgânicos que vai para os aterros sanitários.

Moradora de Boiçucanga há 33 anos e adepta da compostagem doméstica há muito tempo, Leila Prado fez parte da equipe que atuou no projeto. Ela lembra que a primeira etapa foi o mapeamento que identificou 30 pontos críticos de descarte de resíduos pelo bairro, a maioria ao lado de cursos d’água, representando risco de contaminação dos rios e do mar. “Entregamos esse mapa como parte do projeto e realizamos algumas ações coletivas de limpeza e plantio perto desses pontos”, conta Prado.

A equipe cadastrou 12 espaços de aprendizagem em Boiçucanga, que receberam cilindros de compostagem, minhocários e sediaram oficinas para famílias do bairro interessadas em compostar. Escolas, espaços culturais e o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) foram alguns locais parceiros do projeto.

Saiba mais: Instagram @compostaboicucanga

Foto: Ed Davies

*Texto: Renata Takahashi  (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)

Projeto oferece formação em educomunicação socioambiental para jovens

Chamada Pública do FunBEA, voltada à juventude atingida pelo desastre climático de 2023 em São Sebastião, recebe inscrições até 07 de julho.

Uma das atividades das Câmaras Técnicas do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) é acompanhar o andamento de projetos que foram indicados pelo comitê para serem financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). 

Na reunião da Câmara Técnica de Educação Ambiental (CT-EA) no dia 14 de maio, Ana Patrícia Arantes do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA) fez uma apresentação sobre o projeto “Cuidadores das Águas – educomunicação como estratégia de comunicação social e enfrentamento da crise climática no Litoral Norte de São Paulo”.

O projeto está vinculado a dois programas do FunBEA, Água e Clima, terá duração de 18 meses e abrange os quatro municípios do Litoral Norte de SP, inseridos no bioma Mata Atlântica.
Em São Sebastião, serão selecionados até 75 jovens que irão receber R$ 1.120,00 para participarem de encontros de formação em educomunicação e intercâmbios com jovens dos demais municípios do Litoral Norte. A seleção é voltada especialmente aos moradores dos bairros mais atingidos pelo desastre climático de fevereiro de 2023: Barra do Sahy, Juquehy, Cambury, Boiçucanga e Itatinga. 

A prioridade de apoio financeiro será dada a jovens ligados a coletivos e movimentos socioambientais da região e que tenham interesse em práticas de comunicação, como produção de vídeos,  comunicação digital para redes sociais, comunicação de rua (cartazes, murais, grafites), entre outras.  

A seleção será realizada por meio da Chamada Pública do FunBEA “Juventude, Educom e Justiça Climática”. Membros da CT-EA atuarão como analistas no processo de seleção. Para participar, é necessário fazer a inscrição até 07 de julho de 2025. Mais informações podem ser consultadas neste link: https://www.funbea.org.br/chamadas/chamada-publica-funbea-juventude-educom-e-justica-climatica-formacao-de-jovens-comunicadores-populares-no-litoral-norte-de-sp/

Além dessa formação voltada à juventude de São Sebastião, o projeto prevê a realização de 3 workshops para jovens em Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba.

Um dos objetivos do projeto é fazer intercâmbio de informações sobre os processos educomunicativos para geração de conteúdo de comunicação para o CBH-LN. A proposta é criar uma agenda periódica de reuniões para alinhamento com a CT-EA, com a Secretaria Executiva do comitê e com o IPESA (responsável pela execução do projeto Comunica CBH-LN). Entre os produtos educomunicativos que o projeto vai gerar, serão trabalhadas pautas comunitárias com narrativas locais que poderão ser divulgadas pelos canais do CBH-LN. Conforme explicou Arantes, o projeto também pretende promover a integração dos jovens com o comitê e suas temáticas.

Por: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)