Projeto oferece curso digital gratuito sobre tratamento de esgotos em comunidades isoladas
Em junho de 2026, o Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA), a Fluxus Design Ecológico e o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN), com financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), realizaram o curso “Manejo da Água: Sistemas de Tratamento de Esgotos em Comunidades Isoladas”.
A iniciativa focou em soluções sustentáveis pensadas para locais que ainda não são atendidos pelo sistema público de saneamento, situação apontada pelo CBH-LN no Relatório de Situação dos Recursos Hídricos como motivo de preocupação para a qualidade das águas da região.
Inicialmente havia 70 vagas para o curso, mas como a procura foi muito grande, o projeto foi reorganizado e abriu mais vagas, chegando a 470 inscritos. “Acredito que essa grande procura reflete uma realidade muito presente em diversos territórios brasileiros: a demanda por soluções de saneamento para comunidades isoladas ainda é enorme. Existem muitas pessoas, instituições, organizações sociais, profissionais e gestores públicos trabalhando diretamente com essas comunidades e buscando alternativas viáveis para enfrentar um desafio que impacta diretamente a saúde das pessoas, a qualidade de vida e a conservação ambiental. Além disso, a possibilidade de realizar o curso de forma online certamente contribuiu para ampliar o acesso”, afirma a geógrafa e sócia diretora do IPESA, Lisa Yázigi.

A bióloga colaboradora da Fluxus e coordenadora técnica do curso, Isabel Figueiredo, explica que o curso foi online, com 5 aulas de 1h30 que ocorreram às segundas-feiras do mês de junho de 2026. “Os materiais do curso incluem 5 apostilas e 5 vídeos preparados pelo IPESA e Fluxus, além das apresentações utilizadas em aula e as próprias aulas gravadas. Os participantes puderam interagir fazendo perguntas para os professores pelo chat. Receberá certificado quem esteve presente em pelo menos 4 das 5 aulas online. Também será realizada uma aula prática opcional, em Ubatuba (SP), ainda sem data definida”, informa a coordenadora.
Lisa Yázigi avalia que o curso abordou temas fundamentais para o saneamento em comunidades isoladas e proporcionou aos participantes uma formação qualificada, conectada tanto aos desafios práticos quanto às discussões mais atuais sobre o tema. “Para nós, a realização deste curso representa muito mais do que uma ação de capacitação. Entendemos que ele é uma ferramenta de mobilização, articulação e fortalecimento de redes. É uma oportunidade de instrumentalizar pessoas que atuam nos territórios, apoiar a busca por soluções adequadas às realidades locais e contribuir para o desenvolvimento sustentável das comunidades”, conclui a geógrafa.

As aulas estão disponíveis no canal do IPESA no Youtube (@IPESASocioambiental), na playlist “Curso Manejo da Água – sistemas de tratamento de esgotos em comunidades isoladas“.
Além das aulas, estão disponíveis também outros materiais para download. Acesse: https://drive.google.com/drive/u/1/folders/1YmYJT9x60UrPUwOCJ7_ThUjPKSvWyRyi.
*Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Projeto visa conservar recursos hídricos plantando agroflorestas em Ubatuba

Sistemas priorizam plantio de árvores frutíferas nativas da Mata Atlântica
Anualmente, o Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) indica ao Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO) projetos a serem financiados visando a conservação, proteção e recuperação das bacias hidrográficas da região. Entre os programas e ações financiáveis pelo FEHIDRO, estão as soluções baseadas na natureza, que abrangem implantação de projetos executivos e serviços para fortalecimento da agroecologia. Um exemplo de projeto financiado pelo FEHIDRO que aborda esse tema é o Semeando Agroflorestas, executado pelo Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA) em Ubatuba.
O projeto foi selecionado no pleito de 2021 do edital FEHIDRO, iniciou as atividades em 2023 e segue em andamento. Entre as ações já realizadas estão: instalação de viveiro de produção de mudas na aldeia Renascer, no bairro Corcovado; 2 oficinas abertas ao público e 2 em escolas; planejamento, implantação e manutenção de 8 hectares de Sistemas Agroflorestais (a meta é chegar a 9 hectares).
“Trabalhamos a restauração com sistema agroflorestal como forma de promover a produção nas áreas de floresta. Buscamos viabilizar a produção agrícola mantendo a viabilidade ambiental da área, fazendo um manejo do solo que contribui para a conservação das águas”, explica Jussara Santos, engenheira florestal da equipe do IPESA e coordenadora do projeto Semeando Agroflorestas.
Os sistemas atendem à legislação vigente (Resolução SMA nº 32/2014). No final de 10 anos, a área deve possuir diversidade de, no mínimo, 10 a 20 espécies nativas. “Estamos priorizando as frutíferas nativas, como juçara, grumixama, uvaia, cambucá, cambuci, cabeludinha e pitanga. Mas também introduzimos espécies exóticas mais adaptadas, como banana e cacau”, exemplifica Santos.
Os polígonos das áreas restauradas serão cadastrados no Sistema de Apoio à Restauração Ecológica (SARE), com o compromisso de manter as áreas em sistema agroflorestal de forma definitiva. A restauração de áreas degradadas já foi implementada no sertão de Ubatumirim e no bairro Bela Vista, com sistemas agroflorestais planejados considerando o perfil de cada local. Em breve, também será contemplada pelo projeto uma área no quilombo da Caçandoca.
Morador do quilombo, Adalton Máximo da Fonseca considera o projeto muito importante para a comunidade, que terá uma área de recuperação ambiental com potencial para integração com outras atividades que ocorrem no território, como a escola municipal, o curso da UFABC de Licenciatura em Educação do Campo, pesquisas sobre cultura alimentar e turismo de base comunitária.
“A Associação da Comunidade dos Remanescentes do Quilombo da Caçandoca montou um grupo de trabalho chamado Centro de Pesquisa Semente Quilombola para tratar dos assuntos do projeto. Escolhemos uma área de morro, próxima à parte mais turística do território e que está muito degradada, que pode se transformar num ponto de visitação para abordar o processo de recuperação e, no futuro, termos produção de alimentos ali”, disse Fonseca.
Por: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)










