Projeto une educação socioambiental, ciência cidadã e educomunicação em defesa do Rio Itamambuca
Em março deste ano, a Associação Amigos de Itamambuca (SAI) em parceria com o Instituto de Cultura Oceânica (ICOA) deram início ao processo formativo de educomunicação e monitoramento hídrico da bacia do Rio Itamambuca para agentes comunitários, em Ubatuba (SP).
O projeto, intitulado “Vozes do Rio Itamambuca”, foi selecionado no pleito de 2024 do edital do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) para receber financiamento do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO). A proposta está enquadrada no Programa de Duração Continuada (PDC) 8, de capacitação e comunicação social, mais especificamente no SubPDC 8.2, de educação ambiental vinculada às ações dos planos de bacias hidrográficas.
A oceanógrafa e coordenadora do projeto, Laura Piatto (idealizadora do ICOA), conta que a formação terá duração de 12 meses e é voltada para jovens e lideranças da bacia. “O projeto articula educação socioambiental, ciência cidadã e educomunicação, com o objetivo de formar agentes de transformação no território. Ao longo do processo formativo, os participantes se aprofundam em temas como bacia hidrográfica, cultura oceânica, mudanças climáticas e justiça socioambiental, sempre a partir da realidade local”, explica Piatto.
De acordo com a oceanógrafa, uma das principais frentes do projeto é o monitoramento ambiental participativo, que inclui a análise da qualidade da água em diferentes pontos do rio, além do acompanhamento da dinâmica da praia, do manguezal e de áreas de risco, como regiões sujeitas a enchentes. Esse monitoramento permite gerar dados contínuos sobre o território, fundamentais para compreender padrões de poluição e apoiar tanto a gestão pública quanto a mobilização social.
A coordenadora do projeto aponta que outro eixo central é a educomunicação, por meio da qual os próprios participantes produzem conteúdos como vídeos, podcasts e materiais educativos. A proposta é transformar informação técnica em linguagem acessível, ampliando o alcance do debate e fortalecendo o engajamento da comunidade.
Características e desafios da bacia
A Bacia Hidrográfica do Rio Itamambuca está localizada na região norte de Ubatuba e, conforme contextualiza Piatto, é uma unidade natural de gestão do território que conecta a Serra do Mar ao oceano, integrando diferentes ecossistemas como mata de encosta, mata ciliar, manguezal, restinga e o ambiente costeiro e marinho. “Com cerca de 50 km², está inserida em um dos trechos mais preservados da Mata Atlântica, mas também é marcada por uma forte presença humana, com comunidades caiçaras, quilombolas e indígenas, além de áreas urbanizadas e regiões sob pressão do turismo”, afirma a oceanógrafa.
Segundo Piatto, esse território conta com uma trajetória importante de mobilização e articulação por meio do Observatório Itamambuca (@obs_itamambuca), uma coalizão formada por associações locais, comunidades tradicionais e instituições parceiras, que há mais de uma década atua na proteção, monitoramento e gestão sustentável da bacia.
Ela explica que o Rio Itamambuca funciona como a principal veia desse território. “Ele nasce na serra, em áreas mais preservadas, e ao longo do seu percurso recebe diversos afluentes, atravessando regiões com diferentes níveis de ocupação e impacto. Sua foz, onde se encontra com o oceano, é uma área extremamente sensível, com presença de manguezal e grande importância ecológica. A qualidade da água do rio está diretamente relacionada às condições de saneamento básico, ao uso e ocupação do solo e à forma como o território é gerido. Problemas como lançamento de esgoto, drenagem inadequada e ocupação desordenada impactam não apenas o rio, mas também a saúde pública, os ecossistemas e a balneabilidade da praia”, esclarece a coordenadora do projeto.
No Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Litoral Norte de 2025, o rio Itamambuca é apontado como um dos principais rios da região. Apesar de apresentar classificação “Boa” em relação aos valores para Índice de Qualidade da Água (IQA) e Índice de Estado Trófico (IET) segundo análises da Cetesb de 2024, na classificação anual de balneabilidade o rio Itamambuca recebeu classificação “Péssima”, o que significa que suas águas ficaram impróprias para banho em mais da metade das amostras coletadas ao longo daquele ano. Esses dados acendem um alerta e reforçam a importância de iniciativas como o projeto “Vozes do Rio Itamambuca”.
“O projeto não tem como objetivo resolver isoladamente problemas estruturais como o saneamento, que dependem diretamente de políticas públicas e investimentos. No entanto, atua em uma dimensão estratégica ao formar pessoas, produzir conhecimento local e fortalecer o senso de pertencimento. A partir disso, contribui para ampliar a capacidade do território de se mobilizar, cobrar soluções e participar ativamente dos processos de gestão”, conclui Piatto.
Acompanhe as atividades do projeto “Vozes do Rio Itamambuca” no Instagram: @icoa_instituto
*Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
Projeto oferece formação em educomunicação socioambiental para jovens

Chamada Pública do FunBEA, voltada à juventude atingida pelo desastre climático de 2023 em São Sebastião, recebe inscrições até 07 de julho.
Uma das atividades das Câmaras Técnicas do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN) é acompanhar o andamento de projetos que foram indicados pelo comitê para serem financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO).
Na reunião da Câmara Técnica de Educação Ambiental (CT-EA) no dia 14 de maio, Ana Patrícia Arantes do Fundo Brasileiro de Educação Ambiental (FunBEA) fez uma apresentação sobre o projeto “Cuidadores das Águas – educomunicação como estratégia de comunicação social e enfrentamento da crise climática no Litoral Norte de São Paulo”.
O projeto está vinculado a dois programas do FunBEA, Água e Clima, terá duração de 18 meses e abrange os quatro municípios do Litoral Norte de SP, inseridos no bioma Mata Atlântica.
Em São Sebastião, serão selecionados até 75 jovens que irão receber R$ 1.120,00 para participarem de encontros de formação em educomunicação e intercâmbios com jovens dos demais municípios do Litoral Norte. A seleção é voltada especialmente aos moradores dos bairros mais atingidos pelo desastre climático de fevereiro de 2023: Barra do Sahy, Juquehy, Cambury, Boiçucanga e Itatinga.
A prioridade de apoio financeiro será dada a jovens ligados a coletivos e movimentos socioambientais da região e que tenham interesse em práticas de comunicação, como produção de vídeos, comunicação digital para redes sociais, comunicação de rua (cartazes, murais, grafites), entre outras.

A seleção será realizada por meio da Chamada Pública do FunBEA “Juventude, Educom e Justiça Climática”. Membros da CT-EA atuarão como analistas no processo de seleção. Para participar, é necessário fazer a inscrição até 07 de julho de 2025. Mais informações podem ser consultadas neste link: https://www.funbea.org.br/chamadas/chamada-publica-funbea-juventude-educom-e-justica-climatica-formacao-de-jovens-comunicadores-populares-no-litoral-norte-de-sp/
Além dessa formação voltada à juventude de São Sebastião, o projeto prevê a realização de 3 workshops para jovens em Caraguatatuba, Ilhabela e Ubatuba.
Um dos objetivos do projeto é fazer intercâmbio de informações sobre os processos educomunicativos para geração de conteúdo de comunicação para o CBH-LN. A proposta é criar uma agenda periódica de reuniões para alinhamento com a CT-EA, com a Secretaria Executiva do comitê e com o IPESA (responsável pela execução do projeto Comunica CBH-LN). Entre os produtos educomunicativos que o projeto vai gerar, serão trabalhadas pautas comunitárias com narrativas locais que poderão ser divulgadas pelos canais do CBH-LN. Conforme explicou Arantes, o projeto também pretende promover a integração dos jovens com o comitê e suas temáticas.
Por: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)



