Transformando o litoral norte com a força da agroecologia

Imagem: Silas Barsotti Barrozo
Por Ana Patrícia Arantes
Em tempos de crise climática é preciso repensar os modos de uso do território em uma perspectiva, inclusiva e sustentável. Mas o que a agroecologia tem haver com isso? Tudo.
Planejar sobre os princípios da agroecologia é cuidar da saúde das pessoas e das águas. Uma das premissas da agroecologia é a não utilização de agrotóxicos, deixando agricultores e consumidores menos expostos à contaminação e também o cuidado com a água, já que não polui o lençol freático.
“A agroecologia é vida! No saneamento também é possível atuar sobre os aspectos da agroecologia, mantendo uma baixa taxa de ocupação, uma vez que que valoriza a vegetação.”, ressalta Cleide Azevedo, engenheira agrônoma do ITESP – Instituto de Terras do Estado de São Paulo, que assumiu a coordenação da Câmara Técnica de Agrofloresta e Sistemas Florestais do Comitê de Bacias.
Cleide, desde a década de 90 atua na assistência técnica de comunidades quilombolas na região, vê no litoral norte um grande potencial agroecológico de transformação do território inclusive no turismo.
“ O turismo de base comunitária é agroecológico. Existem experiências aqui na região que têm potência para um turismo diferenciado e não de massa”, afirma Cleide e complementa:
“Quem não quer provar uma iguaria local? Quem não prefere fazer uma trilha com um guia quilombola passando pela agrofloresta de um agricultor que conhece cada “mato” pelo nome, e pra que serve? Quem não se encanta com a cestaria indigena? Quem não quer um bom fandango caiçara com uma dose de consertada? E depois de provar a banana do litoral, quem volta pra banana do supermercado? É um turismo diferenciado e não de massa”, ressalta.



Com este olhar de gestão do território, Cleide, os membros e os apoiadores da Câmara Técnica, que tem como representantes agricultores e agricultoras rurais e urbanos, movimentos sociais , quilombolas, indígenas, caiçaras, associações de moradores, órgãos e associação de extensão rural, institutos de terras e de pesquisas em agroecologia e educadores socioambientais, dos segmentos municipais da agricultura e meio ambiente, têm um desafio nos próximos dois anos – fortalecer essa cadeia com geração de renda e mecanismos de distribuição para potencializar a agroecológica do litoral norte e a proteção da água.
Para Silas Barsotti Barrozo, que nasceu em São Sebastião e atua profissionalmente no Litoral Norte desde 2010, e que deixa a coordenação, mas continua como membro da Câmara Técnica, o trabalho realizado na gestão anterior foi desafiador.
“Ao mesmo tempo que muitas pessoas e organizações se interessaram em participar, esbarram com as dificuldades da retomada das atividades práticas no final e no pós Pandemia do COVID, bem como da falta da resolução de conflitos históricos do uso das águas e dos problemas socioambientais de uso e ocupação da região, interferindo no aumento do engajamento e da atuação dos(as) membros(as) no Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte”, explica Silas.
Por outro lado, ele ressalta que foi um período marcado pela superação, resistência e determinação de todos e todas que atuam com a Agroecologia. “Conseguimos manter uma agenda de trabalho de fortalecimento e reconhecimento das tecnologias sociais agroecológicas nos projetos e iniciativas comunitárias em andamento na região, bem como, proporcionamos a realização de escutas, discussões, debates e reflexões críticas e construtivas, para o estabelecimento de novas formas de planejamento, gestão e relações territoriais, sociais, econômicas e ambientais do Litoral Norte, com uma visão sistêmica, humana, justa, inclusiva, ecológica e solidária, e com o reconhecimento dos Povos e Comunidades Tradicionais como guardiões das águas, das florestas, dos mares, do solo, da biodiversidade, da cultura e dos saberes ancestrais sagrados” finaliza.
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