Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba apresenta ações na Câmara Técnica de Educação Ambiental do CBH-LN

Na reunião de 12 de agosto de 2026 da Câmara Técnica de Educação Ambiental (CT-EA) do Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte (CBH-LN), a escritora, ilustradora e artista plástica Rosana Gaeta realizou uma apresentação sobre a Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba.
Rosana contou que a rede foi formada em 2025, com o objetivo de proteger, recuperar e preservar o manguezal de Ubatuba. Os manguezais são ecossistemas de alta complexidade biológica, compostos pelo estuário (parte aquática, contendo água doce e salgada) junto com bosque ou floresta de mangue (vegetação típica costeira adaptada a solos lamacentos e salinos). É um ecossistema muito importante, funciona como berçário da vida marinha, auxilia na proteção costeira, armazenamento de carbono e ciclagem de nutrientes.
A Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba foi formada pela sociedade civil e agrega diversos coletivos, incluindo instituições governamentais e cidadãos interessados em participar. “Decidimos ampliar as vozes do manguezal a partir destas questões: Como saber onde começa e acaba o manguezal de Ubatuba? Como encantar? O que e quem protege o manguezal? Trabalhando em três grandes frentes: o diagnóstico participativo, a educação, mobilização e geração de renda e a incidência política”, explicou Rosana.
O diagnóstico participativo consiste no mapeamento dos manguezais, identificação dos problemas e demandas locais, restauração e monitoramento. A educação, mobilização e geração de renda envolve atividades com arte em escolas, vivências, educomunicação comunitária, turismo de base comunitária e formação e fortalecimento dos guardiões do manguezal. A incidência política atua junto aos órgãos públicos e espaços de decisão.
A rede é um grupo horizontal que conta com a atuação de voluntários. Entre as atividades já realizadas, Rosana comentou sobre as ações no manguezal da Maranduba (expedição terrestre e fluvial, ações educativas socioambientais de identificação, observação e conversação), e sobre a roda de conversa com a Professora Yara Schaeffer-Novelli, referência na conservação dos manguezais brasileiros. O grupo também já realizou ações de limpeza, produziu materiais educativos, colocou placas informativas e iniciou a observação de espécies invasoras e exóticas dominantes para encaminhar pedido de autorização para remoção.
Segundo Rosana, um dos maiores desafios é fazer a fiscalização funcionar. Apesar de legalmente protegido, ela aponta que o manguezal continua sendo aterrado para construção de casas, prédios, etc. Outro grande desafio destacado por Rosana é a preservação dos córregos associados aos manguezais. “Os córregos estão sendo encanados ou assoreados pela erosão, por construções, despejo de resíduos sólidos e líquidos. Como já existem leis de proteção, nosso maior objetivo é fazer com que elas possam valer em nosso território”, defendeu a escritora.
Para acompanhar as ações da Rede Vozes do Manguezal de Ubatuba, siga no Instagram: @vozesdomanguezaldeubatuba
Texto: Renata Takahashi (Projeto Comunica CBHLN – IPESA – contrato FEHIDRO 493/2023)
